OPERACÃO FURACÃO CATARINA



RELATÓRIO DAS ATIVIDADES DE COMUNICAÇÃO
DURANTE A PASSAGEM DO FURACÃO "CATARINA"

 

Missão:  Prover o Departamento Estadual de Defesa Civil de um sistema de comunicação alternativo através de radioamadores, que permitisse a comunicação com os municípios localizados na área a ser atingida pelo "furacão Catarina".

 

Pessoal envolvido:

 

-         2º Ten BM Diogo Bahia Losso/PU5-DIO - CBMSC

-         José Orlando Régis Júnior/PP5-TP - ARAF (Associação de Radioamadores de Florianópolis)

-         Cabo EB Gibson W. de Melo/PP5-GWM - (Grêmio de Radioamadores do 63ºBI)

-         José Carlos Antonini- Rádio Grupo Litoral PX

-         2º Sgt BM Ricardo O. Pires - PU5-BOM - Rádio Grupo Litoral PX

-         A. Alberto Goetze Neto/PP5-GN - Rádio Grupo Litoral PX

-         Ângelo Raupp/ZZ3-ARR - ARAF

 

Atividades desenvolvidas

 

Dia 27/03 - Sábado

 9:30Hs - O 2º Ten BM Losso toma conhecimento da situação, sendo solicitado pelo Sr Maj José Mauro da Costa, Diretor Estadual da Defesa Civil de SC, para providenciar um sistema alternativo de comunicação.

 11:00Hs - O Sr José Orlando Régis Júnior coloca  a disposição as repetidoras da Associação de Radioamadores de Florianópolis - ARAF, e se desloca de Governador Celso Ramos para a Central de Operações da DEDEC em Florianópolis.

 12:00Hs - Com o apoio do Cabo Gibson do Exército Brasileiro é iniciado a montagem das estações no Centro de Operações de Defesa Civil.

 13:00Hs - Já se tinha contato através das freqüências de radioamador com colegas da área atingida. O sistema alternativo de comunicação  estava efetivamente pronto e testado. Foram utilizados o link das repetidoras 146.880 (ARAF) com a repetidora 146.760 (Clube de Radioamadores de Tubarão) e o Link Estadual composto pelas repetidoras 147.360 e 438.100 (ARAF), 145.410 (Clube de Operadores de VHF de Criciúma), 145.270 (Clube de Rádio Amadores de Itajaí), 145.410 (Associação Serrana de Radioamadores) entre outras.

        A partir desse momento até às 22:00 a Central de Operações da Defesa Civil em Florianópolis, ficou monitorando a situação do tempo junto a radioamadores das cidades consideradas na área de risco.

 22:30Hs - Começam os contatos informando o início do vento, das chuvas e da situação do mar.

23:00Hs - As informações vindas da região Sul, davam conta do aumento da intensidade dos ventos e das chuvas, inclusive com rajadas atingindo os 80Km/h.

 23:30 - Chega a informação de que 4 embarcações pesqueiras estariam a perigo em alto mar. É iniciado então contato com as estações de rádio marítimas.

 Dia 28 - Domingo

 00:15Hs - Os contatos com radioamadores na área em risco tornam-se mais freqüentes e começam os relatos de estragos em Balneário Rincão e em Criciúma. Nesse momento as chuvas são fortes e os ventos constantes com intensidade forte com rajadas atingindo mais de 100Km/h.

 00:30Hs - Começam os primeiros chamados para atendimento de ocorrência de árvores sobre residências no Corpo de Bombeiros Militar de Araranguá.

 01:00Hs - Com a passagem do "olho" sobre o continente, as informações de calmaria são reportadas.

 02:00Hs - É confirmado com a estação de rádio marítima de laguna a posição do último contato do barco pesqueiro Válio II, a cerca de 16 Km da costa entre o balneário Esplanada e  o Farol de Santa Marta em Laguna.

 03:45Hs - Recomeçam os contatos da área atingida, sendo informado situação crítica em Araranguá e Içara, com chuva forte e ventos intensos constantes.

 04:15Hs - Situação semelhante a anterior em Cocal do Sul, Içara e Urussanga.

 06:00Hs - A situação começa a melhorar, sendo informado a presença de chuva e ventos fracos.

         Durante todo o dia são realizado contatos com radioamadores na área atingida, uma vez que os telefones não funcionavam em grande parte dos 23 municípios atingidos.

 Dia 29 - Segunda-feira

 13:00Hs - Em reunião com o Diretor Estadual da Defesa Civil, fica acertado o deslocamento de uma equipe móvel para a região atingida para apoio nas comunicações com os municípios que se encontravam incomunicáveis.

 16:20Hs - Iniciado o deslocamento para a área atingida com estação móvel

 19:50Hs - A equipe chega ao município de Ermo e estabelece contato via rádio com a Central de Operações da Defesa Civil em Florianópolis.

 Dia 30 - Terça-feira

 08:00Hs - A equipe móvel começa a visita pelos municípios atingidos, repassando as informações diretamente a Central em Florianópolis. Com  o apoio do 3º Sgt BM Niles do Corpo de bombeiros de Araranguá é prestado apoio as Prefeituras Municipais para a confecção dos documento necessários junto a DEDEC.

 Municípios visitados: Araranguá, Balneário Gaivota, Arroio do Silva, Passo de Torres e São João do Sul.

 Dia 31 - Quarta-feira

 08:00Hs - Continua a visita aos municípios.

 Municípios visitados: Praia Grande, Jacinto Machado, Santa Rosa do Sul e Araranguá.

 21:30Hs - Após 1.106 Km percorridos, a equipe móvel chega a Florianópolis encerrando a participação de radioamadores na  operação de emergência. A prontidão é desfeita e as estações desmontadas.

 

Conclusão

        A comunicação via rádio ainda pode ser considerada como uma alternativa barata e eficaz em situações anormais. A falta de energia elétrica pode ser suprida por baterias, uma estação VHF pode ser instalada em um veículo, em uma barraca ou até mesmo transforma-se em uma estação portátil (HT), permitindo operação de qualquer localidade.

        Nesse evento em especial, a utilização do sistema VHF através das repetidoras das Associações ou Clubes de Rádioamadores, propiciou ao Departamento Estadual de Defesa Civil de Santa Catarina um sistema alternativo de comunicação com os municípios catarinenses afetados pelo evento, tanto durante a sua manifestação quanto após, sendo inclusive a única via de contato com municípios que ficaram sem telefonia.

        Destaca-se ainda, o espírito humanitário dos rádioamadores que voluntariamente participaram da operação, alguns de forma mais direta, outros no empréstimo de equipamentos.

        Diferentemente de uma enchente, onde rádioamadores já foram empregados, esse evento foi muito rápido, o que nos leva a crer que alguns colegas também foram atingidos, fazendo com que poucos se mantivessem disponível durante toda a passagem do "furacão".

 Acredito que mais uma vez o radioamadorismo provou o seu lado humanitário, ajudando não só a Defesa Civil mas a toda comunidade afetada, sem conhecê-la e melhor, sem esperar nada em troca.    

         Para a Defesa Civil a parceria com as Associações e Clubes de Rádioamadores, possuidores das repetidoras de VHF, garante um sistema de comunicação com cobertura de cerca de 80% do território catarinense, podendo ser acionado a qualquer momento com mobilização rápida.

 

Florianópolis, 1 de abril de 2004.

  

DIOGO BAHIA LOSSO - PU5DIO
2º Ten BM Mat 922323-1
Comandante da Operação

 

 


ARAF - Associação dos Radioamadores de Florianópolis

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